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Caso Master: Coaf aponta transações com autoridades com foro privilegiado

Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) enviado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à Polícia Federal em São Paulo revela que a rede de movimentações financeiras ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro envolve pessoas com indicativo de foro por prerrogativa de função no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou no Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento foi divulgado nesta segunda-feira (14) após o ministro André Mendonça, do STF, derrubar o segredo de justiça de uma nova frente de investigação sobre rede de pagamentos ligada a Vorcaro e ao extinto Banco Master. Em cumprimento a restrições legais e judiciais, no entanto, o órgão de fiscalização omite a identidade das autoridades com foro e excluiu o detalhamento de suas transações das planilhas entregues aos investigadores federais.

Nomes omitidos e segregação de dados

O RIF, emitido em 25 de fevereiro de 2026, engloba a análise de 823 alvos (303 pessoas físicas e 520 pessoas jurídicas). No documento, o Coaf registrou formalmente estar impossibilitado de fornecer a íntegra das informações relativas a parte dos citados devido a restrições impostas pela Reclamação nº 88.121 no STF e ao indicativo de incidência de regra de foro por prerrogativa de função.

Diante disso, o Coaf informou ter segregado os dados repassados à Polícia Federal: as comunicações que contêm referências a autoridades com foro no STJ ou STF foram omitidas das planilhas em formato .csv encaminhadas à PF/SP. A disseminação dessas informações específicas ficou restrita apenas a autoridades da unidade de inteligência financeira com competência formal para oficiar perante as cortes superiores.

Um dos episódios em que a omissão de nomes é citada no relatório refere-se a um repasse de R$ 1 milhão realizado pela empresa Super Empreendimentos e Participações S.A. para a Dubem Business Marketing Eventos e Produções Artísticas Ltda. (em conta no Banco Safra), no qual uma das pessoas mencionadas possui indicativo de foro privilegiado.

O Coaf fez questão de ressaltar no RIF que a indicação de foro privilegiado não pressupõe avaliação sobre a relevância das transações no processo, cabendo exclusivamente à PF checar se os investigados sob sua alçada possuem de fato prerrogativa de função.

Operações atípicas na rede de Vorcaro

A Super Empreendimentos e Participações S.A. tem como administrador o advogado Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. A empresa é alvo de alertas do Coaf devido a diversas transações imobiliárias na capital paulista que apresentaram diferença superior a 100% entre o valor declarado da negociação e o valor de avaliação fiscal dos imóveis.

Fabiano Zettel também figura como o principal remetente de recursos para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, tendo transferido R$ 19,2 milhões (em 26 lançamentos) de um total de R$ 57,1 milhões movimentados pela entidade entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O relatório aponta que a igreja repassou os recursos prioritariamente a construtoras e ao pagamento de títulos.

Além disso, empresas controladas por Zettel, como a Moriah Asset, foram comunicadas ao Coaf por movimentações atípicas na compra de veículos de luxo --incluindo modelos Range Rover, Cadillac Escalade e Audi RS6.

Conexões com as apurações no STF

A menção à existência de figuras com foro ocultadas nas planilhas vem à tona no momento em que o ministro André Mendonça, do STF, derrubou o segredo de justiça de uma frente de investigação sobre a rede de pagamentos de Daniel Vorcaro. A decisão atendeu a uma determinação do presidente do Supremo, Edson Fachin, após provocação do ministro Alexandre de Moraes e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Moraes solicitou a publicidade de mais um inquérito relacionado ao caso antes da sessão marcada para esta terça-feira (15), quando o plenário deve discutir se o tribunal irá aprofundar a apuração sobre sua relação com o antigo controlador do Master.

Segundo o STF, o tribunal já tornou públicos 53 procedimentos de apuração envolvendo a instituição financeira, após requerimento de Fachin, e a nova peça trata especificamente de movimentações financeiras e da estrutura de pagamentos ligada ao grupo.

Fonte: Band.
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