A Polícia Civil investiga a morte de Larissa Cruz Morata, encontrada sem vida dentro do banheiro de sua residência em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo. O marido da vítima, o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa e Silva, de 26 anos, está preso temporariamente sob suspeita de feminicídio. O casal estava junto há cerca de cinco anos e tinha um filho de dois anos, que estava no imóvel no momento do ocorrido, assim como a irmã do suspeito.
Inicialmente registrado como morte suspeita com dúvida quanto à possibilidade de suicídio, o caso ganhou novos contornos após análises periciais. Vinicius nega a autoria do crime e afirma que a esposa tirou a própria vida com a arma funcional dele — um revólver calibre 357 encontrado debaixo do corpo —, após uma discussão em que ele pedia a separação. No entanto, os depoimentos prestados pelo policial militar apresentam inconsistências frente aos levantamentos preliminares da perícia técnica.
Contradições apontadas pela perícia criminal
De acordo com o perito criminal Clayton Sá, o laudo aponta que Larissa apresentava diversos hematomas nas mãos, pés, joelhos e na perna esquerda, além de tufos de cabelo soltos pelo local, o que sugere uma luta corporal. Outro fator determinante que afasta a hipótese de suicídio é a trajetória do disparo.
A vítima foi atingida na parte de trás da cabeça, próximo à orelha esquerda, com o projétil saindo na região da sobrancelha. Por ser destra, os peritos apontam que seria improvável ela efetuar um disparo dessa maneira.
Cronologia dos fatos e mensagens trocadas
Conforme o apurado pela polícia, a dinâmica do crime ocorreu entre 9h30 e 10h30. Investigações baseadas em mensagens de texto detalham os momentos que antecederam a morte:
- Às 8h26, Larissa enviou uma mensagem para a avó informando que havia terminado o relacionamento.
- Às 9h14, enviou nova mensagem afirmando que Vinicius havia se separado dela.
- Por volta das 9h25, a avó sugeriu que ela chamasse um motorista por aplicativo para ir até sua casa, mas Larissa recusou em ligação telefônica, alegando que queria ficar sozinha e que o companheiro e a cunhada estavam no local.
- Às 11h06, Vinicius ligou para o tio da vítima aparentando nervosismo, enviou a localização e pediu que familiares fossem até a residência, onde a polícia e o socorro médico já haviam sido acionados.
Em depoimento, a avó de Larissa relatou que, em vez de acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o policial militar ligou primeiro para o seu comandante. As apurações continuam a cargo da Delegacia de Embu das Artes para esclarecer todas as circunstâncias da morte.