O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) investigue a conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan. A decisão surge após a divulgação de imagens das câmeras corporais (bodycams) da Polícia Militar, que mostram o magistrado no apartamento do tenente-coronel da PM, suspeito da morte da soldado Gisele da Silva Soares.
As imagens revelam um momento de proximidade entre o desembargador e o oficial da reserva. Segundo as investigações, o tenente-coronel teria ligado para Cogan, seu amigo pessoal, antes mesmo de acionar o socorro para a soldado Gisele.
No vídeo, é possível ver o desembargador chegando ao local e cumprimentando o suspeito com um aperto de mãos, enquanto este ainda estava apenas de trajes de banho e sob custódia policial. O comportamento do magistrado no local do crime levanta questionamentos sobre uma possível interferência ou tentativa de influência nas investigações iniciais.
Desobediência e Tensão
O registro da bodycam também capturou momentos de tensão entre os policiais que atendiam a ocorrência e o tenente-coronel. Mesmo sob ordens explícitas para não se mover, o oficial ignorou os comandos e insistiu em tomar banho, demonstrando resistência à autoridade dos agentes presentes.
Durante o diálogo capturado, o suspeito refere-se ao desembargador repetidamente como "Excelência", o que, para os investigadores, reforça a tentativa de utilizar o prestígio do cargo do amigo para intimidar ou mitigar a ação policial.
Próximos Passos
A Corregedoria Nacional de Justiça quer entender o papel exato do desembargador no local: por que ele foi acionado, qual foi sua atribuição ali e se houve qualquer tipo de obstrução ao trabalho da perícia ou da polícia.
O caso da soldado Gisele segue sob forte comoção e vigilância da opinião pública, com as autoridades buscando esclarecer se houve privilégios no tratamento do principal suspeito devido às suas conexões no alto escalão do judiciário paulista.