Uma operação conjunta de forças de segurança na fronteira entre o Brasil e a Bolívia terminou com dez suspeitos mortos após sete dias de buscas intensas em áreas de mata. Entre os mortos no confronto com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul está José Mariano Pinheiro Chaves, conhecido como "Pinha", apontado pelas autoridades bolivianas como um dos principais líderes do tráfico internacional de drogas na região.
A ação ocorreu na zona rural do município de São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. Os quatro suspeitos mortos no último confronto foram socorridos pelas equipes policiais, mas não resistiram aos ferimentos.
A caçada começou após uma emboscada ocorrida em 31 de julho no município de San Matías, na Bolívia, que resultou na morte de cinco pessoas, incluindo o segundo-tenente da polícia boliviana Yerson Salazar. Após a sequência de assassinatos no país vizinho, o grupo fugiu de avião em direção a São Paulo, mas a aeronave foi interceptada pela Força Aérea Brasileira (FAB). Os ocupantes realizaram um pouso forçado e se esconderam na mata fechada.
Rotas clandestinas e conexão com facções brasileiras
Segundo o comandante do BOPE, coronel Rocha, a aproximação das equipes ocorreu em formato de patrulha terrestre devido ao alto grau de periculosidade dos suspeitos. "Foi feita a aproximação em formato de patrulha e ali já teve o primeiro confronto. Sabíamos da possibilidade de confronto e sabíamos que eles estavam armados", afirmou o oficial.
A Polícia da Bolívia aponta que a estrutura chefiada por "Pinha" utilizava aeronaves para transportar grandes remessas de cocaína da Bolívia com destino ao mercado brasileiro. As investigações indicam que o grupo mantinha ligações diretas com facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que disputam o controle do fornecimento de drogas e das rotas de escoamento na região de fronteira.
Vulnerabilidade na navegação e fiscalização de fronteira
Em apuração no local, a equipe de reportagem do Brasil Urgente registrou a facilidade com que travessias clandestinas são realizadas entre os dois países. O trajeto entre Guajará-Mirim, em Rondônia, e a cidade homônima no lado boliviano é feito por pequenos barcos a motor e caminhos de terra sem qualquer fiscalização da Polícia Federal ou da Receita Federal. Moradores e condutores de embarcações locais confirmaram à reportagem que o trânsito de pessoas ocorre diariamente sem abordagens ou exigência de documentos