Clube 1 - 96.7FM | Ribeirão Preto/SP
Conteúdo nacional e internacional Rede BandNews
Brasil enfrenta risco de 'apagão de professores' nos próximos anos; entenda

O Brasil enfrenta risco de falta de professores na educação básica nos próximos anos. De acordo com a 2ª edição da pesquisa Apagão dos Professores, do Instituto Semesp, o número de docentes com até 24 anos no ensino médio caiu 31,1% em dez anos, enquanto os docentes com 60 anos ou mais cresceu 104,5% no mesmo período.

Atualmente, na rede pública de educação básica, a média é de apenas um professor jovem (com até 24 anos) para cada três profissionais com mais de 60 anos. As projeções indicam um cenário ainda mais grave para o ano de 2040, quando estima-se a proporção de um professor jovem para cada seis docentes idosos.

Esse movimento de envelhecimento do quadro docente é provocado por dois fatores centrais identificados pelo levantamento:

  • Expansão do ensino a distância (EAD): Houve uma alta de 158% nos cursos presenciais e a distância, mas a modalidade EAD atrai predominantemente profissionais mais velhos que já trabalham, fazendo com que 7 em cada 10 formados tenham mais de 30 anos.
  • Desinteresse dos recém-saídos da escola pela docência: A carreira atrai poucos jovens recém-formados devido aos salários mais baixos em comparação com outras profissões de nível superior, além da falta de valorização profissional, de boas condições de trabalho e de perspectivas futuras.

Como consequência, embora as instituições de ensino superior continuem formando professores, esses profissionais chegam mais velhos ao mercado e passam menos tempo em sala de aula até a aposentadoria, o que dificulta a renovação contínua do quadro docente nas escolas.

Desafios de retenção e o cotidiano escolar

O risco de desabastecimento de professores não decorre apenas da quantidade total de profissionais formados, mas também do desafio de preparar e reter os novos talentos na rede de ensino. Fatores como remuneração, condições de trabalho e o próprio ambiente em sala de aula influenciam diretamente a permanência dos docentes na profissão.

Apesar do contexto adverso, existem trajetórias de dedicação à docência. O professor Felipe Ramos, de 24 anos, leciona educação física e a disciplina de esporte, música e arte (EMA) em uma escola estadual em São Paulo --a mesma instituição onde concluiu o ensino médio como aluno. Atuando há três anos como professor, Felipe relata estar feliz e planeja continuar na carreira no longo prazo, motivado pelo propósito de transformar a vida dos estudantes.

Para apoiar os profissionais que estão iniciando, a escola desenvolve um trabalho contínuo de acompanhamento com os jovens professores. A coordenadora pedagógica Elaine Cristina Pocopetes Capello ressalta que o ambiente escolar mudou e que, se os professores não se sentirem bem acolhidos, tendem a abandonar a escola.

Diante desse cenário, especialistas como Lúcia Teixeira e o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, destacam a necessidade urgente de voltar a valorizar a figura do professor para garantir o futuro da licenciatura no país.

Fonte: Band.
Carregando os comentários...
Programa do Povo com Programação Clube 1
Carregando... - Carregando...