O Brasil atingiu um patamar histórico e preocupante em 2025, registrando o recorde de 84.760 pessoas desaparecidas. O dado, que faz parte de um levantamento do Ministério da Justiça, revela uma média de 232 registros por dia no país. Apesar do volume crítico de casos, o monitoramento oficial indica que 60% das ocorrências foram solucionadas no mesmo período.
A radiografia do perfil dos desaparecidos mostra uma predominância do gênero masculino, que soma 54.102 casos, enquanto o feminino contabiliza 30.050 registros. Outro dado alarmante refere-se à faixa etária: crianças e adolescentes com menos de 18 anos representam quase um terço do total, somando 23.919 desaparecimentos no último ano.
O papel da tecnologia e os desafios da integração
O uso de ferramentas tecnológicas tem se mostrado um aliado estratégico na resolução desses casos. Na capital paulista, a implementação de 40 mil câmeras equipadas com sistemas de reconhecimento facial permitiu a localização de 149 pessoas desaparecidas.
Especialistas avaliam que o investimento em tecnologia é o caminho mais eficaz para reverter o cenário atual, embora o país ainda enfrente o desafio de integrar esses sistemas de forma eficiente entre os estados.
A falta de cruzamento de dados é uma das principais críticas de órgãos de controle. Uma promotora do Ministério Público de São Paulo, que atua na área há dez anos, ressalta que a integração das informações ajudaria a encontrar milhares de cidadãos que desaparecem por motivações diversas, que vão desde transtornos mentais e doenças até situações de violência doméstica.
A ausência de uma base de dados unificada e robusta dificulta não apenas o encontro das vítimas, mas também a elaboração de um perfil preciso sobre as causas dos desaparecimentos no Brasil. Essa lacuna operacional prejudica o esclarecimento de possíveis crimes e a formulação de políticas públicas voltadas para a prevenção.
Atualmente, famílias como a de Aparecida enfrentam a angústia da espera e a falta de investigações profundas. O filho dela, José Thiago, desapareceu em setembro de 2023 ao sair de casa para ir ao hospital. Casos como este evidenciam que, sem uma estrutura de investigação e suporte tecnológico integrado, o paradeiro de muitos brasileiros permanece sem solução.