
Com base nas informações detalhadas na decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo e na investigação do GAECO, o BK Bank é apontado como um dos instrumentos financeiros cruciais para o funcionamento do esquema criminoso bilionário liderado por Mohamad Hussein Mourad.
Longe de ser um mero participante, a BK é descrita como uma ferramenta "amplamente utilizada" para a lavagem de capitais e ocultação de bens em larga escala.
"Contas Bolsões"
O modus operandi da BK, que a tornou tão valiosa para a organização criminosa, era o uso de "contas bolsões". Segundo a investigação, essa metodologia permitia que os valores de diversos clientes fossem depositados em uma única conta mestra da instituição.
Dessa forma, as compensações financeiras e transferências ocorriam internamente, sem que os recursos precisassem transitar pelo sistema bancário tradicional.
Isso criava uma "camada de opacidade" que dificultava enormemente o rastreamento da origem e do destino dos valores, inibindo o sistema antilavagem de capitais e permitindo que a organização movimentasse bilhões de forma dissimulada.
Quem Utilizava a Estrutura da BK no Esquema
Praticamente todos os braços da organização fraudulenta utilizavam a infraestrutura da BK para movimentar recursos. A instituição servia como o "duto financeiro" que conectava as diferentes frentes do esquema:
- Empresas do Grupo Mohamad: Distribuidoras como ASTER PETRÓLEO, DUVALE e COPAPE registraram fluxos financeiros massivos através da BK. A ASTER, por exemplo, movimentou mais de R$ 2,2 bilhões.
- Usinas Sucroalcooleiras: Usinas como Itajobi e Carolo, controladas pelo grupo, também utilizavam a BK para movimentar recursos.
- Fundos de Investimento: O fundo MABRUK II, usado para adquirir as usinas e ocultar patrimônio, movimentou cerca de R$ 250 milhões através da BK para esconder a origem e o destino de suas transações.
- Operadores e "Laranjas": Figuras-chave como Himad Abdallah Mourad receberam diretamente da BK mais de R$ 20,8 milhões. A empresa de Himad, a INSIGHT, foi citada em uma comunicação da BK com um total de R$ 18,5 bilhões em créditos e débitos. Volume Movimentado: A Escala Bilionária da Operação
Os valores que transitaram pela BK são astronômicos e evidenciam sua centralidade no esquema. A investigação apontou uma movimentação total que ultrapassa os R$ 17,7 bilhões.
Essa cifra colossal demonstra que a BK não era apenas uma facilitadora, mas a plataforma financeira que viabilizava a lavagem de dinheiro e a ocultação de ativos em uma escala industrial, tornando-se indispensável para o sucesso e a expansão da organização criminosa.
A defesa do BK Band não se manifestou até a publicação desta matéria. Caso o faça posteriormente o texto será atualizado.