O corpo da estudante Thamiris Pereira, de 14 anos, foi localizado em um terreno baldio no bairro de Itinga, em Salvador, após sete dias de buscas intensas. A Polícia Civil prendeu temporariamente um homem de 37 anos, vizinho da família da vítima, suspeito de cometer o assassinato. Segundo as investigações, o crime teria sido encomendado por um detento de 32 anos, que cumpre pena por violência doméstica e acusa a adolescente de ter feito a denúncia que o levou à prisão.
Thamiris desapareceu logo após deixar a escola. No mesmo dia do sumiço, as autoridades localizaram a mochila da jovem, mas o corpo só foi encontrado uma semana depois, a cerca de três quilômetros da residência da família. A vítima estava sem roupas, embora o uniforme escolar e os calçados estivessem depositados ao lado do corpo. Durante o período de buscas, o vizinho agora detido chegou a participar das mobilizações para tentar localizar a menina.
Investigação e motivação
De acordo com o delegado Moisés Damasceno, a principal linha de investigação trabalha com a hipótese de uma execução determinada pelo chamado "tribunal do crime". A polícia acredita que Thamiris foi apontada como a responsável pela prisão do mandante. "Ali pode ter havido o interrogatório, podem ter olhado o celular dela e uma série de outras coisas que acontecem nesse tipo de crime", afirma o delegado sobre a dinâmica da abordagem que resultou na morte da estudante.
Luciano Sena, tio da vítima, relata que o suspeito aproveitava a proximidade com a família para aliciar a adolescente, agindo sob um pretexto de amizade. A mãe da jovem, que trabalha para sustentar os filhos, contava com a rede de apoio da vizinhança, o que facilitou o contato do homem com Thamiris.
O impacto da morte causou comoção na comunidade escolar. As aulas foram suspensas e funcionários realizaram homenagens com flores e cartazes. Tais Letieres, auxiliar administrativa da instituição, descreveu a jovem como uma aluna alegre e educada.
O homem apontado como executor permanece preso temporariamente, enquanto o suposto mandante, que já está no sistema prisional, deve responder por este novo crime. A Polícia Civil mantém as investigações para detalhar como a vítima foi atraída para o local do crime e se houve a participação de outras pessoas.