As guerras na Ucrânia e no Irã elevaram o risco de uma nova escalada nuclear, despertando o temor de uma corrida armamentista global. Atualmente, nove países possuem armas nucleares, somando mais de 12.200 ogivas ativas e inativas. A preocupação de especialistas é que, diante da instabilidade geopolítica, nações busquem o armamento atômico como estratégia de proteção para evitar se tornarem os próximos alvos de potências estrangeiras.
A Rússia lidera o ranking mundial com 5.459 ogivas, seguida de perto pelos Estados Unidos, que possuem 5.177. Juntos, os dois países detêm quase 90% do poder atômico do planeta. O cenário tornou-se ainda mais crítico após a expiração do tratado ‘New Start’, em fevereiro deste ano, que era o último acordo vigente para frear a produção e permitir o monitoramento mútuo entre as duas superpotências.
O mapa das potências nucleares
Além de Rússia e Estados Unidos, outros sete países integram o grupo de detentores de tecnologia nuclear para fins militares. A China aparece em terceiro lugar, com 600 ogivas, e tem acelerado sua produção segundo institutos internacionais de pesquisa. A lista é completada por França (290), Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.
Um dado alarmante é que quatro desses países - Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte - não são signatários do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Sem regras rígidas e com o fim dos acordos de limitação, o caminho para a expansão dos arsenais parece livre, especialmente com líderes europeus, como o francês Emmanuel Macron, já sinalizando o aumento de suas defesas atômicas.
Tecnologia e poder de destruição
Embora o número total de ogivas tenha caído drasticamente desde a década de 80 - quando o mundo chegou a ter 70 mil unidades no auge da Guerra Fria -, o perigo atual reside na evolução tecnológica. Uma ogiva moderna pode ser até 40 vezes mais destrutiva do que as bombas utilizadas no passado, o que torna qualquer erro de cálculo diplomático potencialmente catastrófico para cidades ou países inteiros em um curtíssimo espaço de tempo.
A falta de um novo tratado de controle deixa o monitoramento internacional no escuro. Para analistas ouvidos pela reportagem, a ausência de limites globais incentiva outros países a buscarem armas de destruição em massa sob o argumento da autodefesa, repetindo o dilema vivido durante a Guerra Fria, mas agora com armamentos significativamente mais potentes.
Veja o ranking mundial de potência nuclear
- Rússia: 5.459 ogivas
- Estados Unidos: 5.177 ogivas
- China: 600 ogivas (em aceleração de produção)
- França: 290 ogivas
- Reino Unido: Possui armamento (número exato não citado, mas integra o grupo principal)
- Índia: Possui armamento (não signatária do TNP)
- Paquistão: Possui armamento (não signatária do TNP)
- Israel: Possui armamento (não signatária do TNP)
- Coreia do Norte: Possui armamento (não signatária do TNP)