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Amapá pode produzir petróleo em até 7 anos, diz presidente da Petrobras

O Amapá poderá começar a produzir petróleo em águas ultraprofundas em um prazo de seis a sete anos, segundo estimativa da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A projeção foi feita após a estatal encontrar hidrocarbonetos durante a perfuração de um poço na Margem Equatorial. Agora, os estudos precisam determinar a quantidade e a qualidade do óleo e se a exploração é comercialmente viável.

A descoberta ocorreu em um poço localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a quase 3 quilômetros de profundidade. A Petrobras havia obtido a licença para realizar a pesquisa exploratória na região. A presença de hidrocarbonetos indica que há petróleo ou gás natural na formação rochosa, mas ainda não permite classificar o achado como uma reserva comercial.

Em entrevista à BandNews TV, Magda afirmou que a Petrobras considera a descoberta promissora e destacou a importância da região para a manutenção da produção brasileira nas próximas décadas.

“A partir de 2034, a expectativa é que o pré-sal comece a entrar em declínio. O que estamos vendo é a potencialidade da Margem Equatorial, em especial do Amapá, em poder recompor as reservas brasileiras e manter a produção do Brasil nos níveis que ela vai estar em 2034”, afirmou.

Segundo Magda, nesse cenário, o Brasil poderá estar entre o sexto e o sétimo maiores produtores de petróleo do mundo.

Descoberta ainda não é comercial

A Margem Equatorial é considerada a mais nova fronteira de exploração de petróleo no Brasil. A área se estende por aproximadamente 2,2 mil quilômetros do litoral, desde o Amapá até o Rio Grande do Norte.

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro), Telmo Ghiorzi, explica que encontrar hidrocarbonetos é apenas uma etapa do processo.

“Nessa formação rochosa, nesses poros, eles encontraram um fluido que tem indícios de hidrocarbonetos, que é petróleo ou gás natural. Reserva é quando você consegue delimitar, quantificar e qualificar”, disse.

A Petrobras continuará perfurando o poço até o fim de agosto ou início de setembro. Depois, a companhia pretende abrir os chamados poços de delimitação, que ajudarão a estabelecer quanto petróleo ou gás existe na região.

“Temos uma descoberta. Temos o óleo do Amapá nas nossas mãos. Agora, quanto de petróleo é a continuidade desses estudos que vai dizer”, afirmou Magda.

A presidente da estatal ressaltou que existe uma diferença entre encontrar petróleo e comprovar que a quantidade disponível permite a exploração em escala comercial.

“Existe uma diferença muito grande entre uma descoberta e uma descoberta comercial. Acreditamos que vai ser uma descoberta comercial”, disse.

Petrobras prevê R$ 13 bilhões em investimentos

A exploração da Margem Equatorial faz parte da estratégia da Petrobras para repor as reservas de petróleo e garantir o abastecimento do país durante o processo de transição para fontes de energia mais limpas.

A estatal prevê R$ 13 bilhões em investimentos ao longo de cinco anos, com a perfuração de 15 poços até 2030. Estimativas iniciais apontaram um potencial de cerca de 30 bilhões de barris de petróleo e gás na região.

Caso a viabilidade comercial seja confirmada e o projeto avance, a presidente da Petrobras estima que a produção no Amapá poderá começar na próxima década.

“O que nós estamos prevendo é que, de hoje a cerca de seis, sete anos, o estado do Amapá poderá, sim, estar produzindo petróleo e rendendo divisas para o país, para o próprio estado, e emprego e renda tanto local quanto no resto do país”, afirmou Magda.

A expectativa da estatal é que a atividade também aumente a arrecadação e gere empregos e renda nos estados e municípios da Margem Equatorial.

A exploração de petróleo na Margem Equatorial também ganhou espaço no debate político sobre o futuro energético do país.

A Petrobras acompanha ainda a experiência da vizinha Guiana, onde a exploração de petróleo em águas profundas avançou nos últimos anos. Em uma década, o país multiplicou por cinco o Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: Band.
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