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Alckmin vê ação de 'sabotadores' após tarifas dos EUA: ‘Prejudicam o país’
© Valter Campanato/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comentou os obstáculos enfrentados pelo governo brasileiro nas mesas de negociações internacionais. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (2), Alckmin afirmou que interesses políticos e eleitorais estão sendo colocados à frente do crescimento do país e citou “sabotadores” ao falar sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

"Sempre que o diálogo avança, sabotadores agem para prejudicar o país, colocando seus interesses pessoais e interesses eleitorais acima do interesse do Brasil e do povo brasileiro", afirmou o vice-presidente.

De acordo com Alckmin, essas interferências têm um impacto direto no cotidiano da população, afetando a economia real. "Isso tem reflexo no emprego, prejudica a renda, prejudica empresas e prejudica a sociedade", alertou. Ele garantiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai atuar diretamente "no sentido de que isso não se converta" em prejuízo para a nação.

“Profunda indignação”

Alckmin também afirmou que o governo brasileiro recebeu com profunda "indignação" a recomendação dos Estados Unidos para aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. O novo tarifaço precisa de aprovação de Donald Trump.

Em pronunciamento à imprensa, Alckmin classificou a medida como "totalmente descabida" e destacou que a balança comercial entre os dois países já é historicamente favorável aos norte-americanos.

Nós recebemos com indignação essa recomendação. Ela é totalmente descabida, porque o Brasil tem um comércio superavitário para os Estados Unidos. O ano passado, os Estados Unidos tiveram US$ 40 bilhões de superávit no comércio com o Brasil. O Brasil compra muito mais dos Estados Unidos do que vende.

Segundo o vice-presidente, não há justificativa econômica para a sobretaxa, uma vez que os Estados Unidos registraram um superávit na relação comercial com o Brasil no ano anterior. O governo brasileiro argumenta que a imposição de barreiras pode prejudicar as economias de ambos os países.

Tarifaço

O novo tarifaço foi recomendado dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente dos EUA, Donald Trump. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) divulgou as recomendações para a Casa Branca taxar em até 25% uma lista de produtos brasileiros.

O texto publicado nesta segunda-feira (1º) cita "atos onerosos" brasileiros relacionados ao "comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação das leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal" como justificativas para enquadrar Brasília nas sanções da Lei de Comércio americana.

O órgão, porém, lista diversos produtos que estariam fora das sanções, como carne bovina, café, diversas frutas e verduras, além de minerais e metais como carvão, cobalto, níquel e alumínio.

A decisão é tomada no contexto de uma decisão judicial que proibiu Trump de aplicar seu "tarifaço" de forma indiscriminada. Uma tarifa global de 10% é atualmente imposta contra o Brasil e diversos países. A sanção não é automática e depende do aval da Casa Branca.

Fonte: Band.
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