Começa a surgir uma articulação nos três Poderes para o afastamento do ministro Dias Toffoli. Gleisi Hoffman está a frente por parte do Executivo, Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Legislativo. No Judiciário, as conversas estão entre Moraes e o próprio Dias Toffoli.
A reportagem apurou que a ideia é um acordo de saída de Toffoli para evitar um impeachment. O plano começa a ser pensado já de olho na possível delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Isso porque a avaliação é de que nomes como Ciro Nogueira, Antônio Rueda e Ibaneis Rocha são inevitáveis de ser mencionados na delação. Mas a intenção é resguardar os ministros da Suprema Corte, que já foram citados nas conversas vazadas no celular do banqueiro.
Além disso, a saída de Dias Toffoli também atende a oposição, que quer a derrubada do ministro do Supremo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem foco em evitar um impeachment de ministro em ano eleitoral, já que Toffoli foi indicado ao STF pelo próprio presidente. Sendo assim, a avaliação do Executivo é de que a melhor saída seria uma licença, antes que Vorcaro delate e possa surgir mais provas contra o ministro.
No Legislativo, Davi Alcolumbre articula a entrada de Rodrigo Pacheco no lugar de Dias Toffoli. Desta forma, o presidente do Senado não iria mais ter problema em pautar a votação de Jorge Messias para a vaga do Barroso, que atualmente está paralisada.
Conforme apurado anteriormente pela reportagem com o senador Otto Alencar, Lula não vai mandar o requerimento para o Senado antes de ter certeza que Alcolumbre iria pautar, ou seja, o acordo também resolveria esse problema.
A candidatura do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ao Senado é dada como impossível por parte de aliados e opositores. Isso porque ele precisaria se desincompatibilizar para concorrer, e assim perderia o foro privilegiado. Segundo fontes dos dois lados, Ibaneis espera com total apreensão a possível delação de Vorcaro.