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Advogado contesta versão de tenente: "Ficou evidente que executou a Gisele"

O advogado Miguel Silva, que representa a família da soldado Gisele, subiu o tom contra a versão apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Neto sobre a morte da policial. Em entrevista ao Brasil Urgente, o defensor rebateu as explicações do oficial e reforçou a tese de que o crime foi, na realidade, uma execução motivada por falta de controle emocional.

O histórico de conduta

Questionado sobre o comportamento do tenente-coronel, o advogado citou decisões judiciais para contextualizar o perfil do investigado. Segundo ele, a agressividade relatada não é uma invenção da defesa, como Geraldo disse em entrevista ao Brasil Urgente nesta segunda-feira (16), mas algo já reconhecido pelo Judiciário.

“A ira dele foi despertada por falta de controle emocional. Chegaram todas essas denúncias para mim, assim como chegam para a mídia, e eu sempre digo que tem que vir baseado em provas. E uma dessas denúncias veio com a sentença cível ao qual condenou o estado, a fazenda pública, pelas atitudes do senhor tenente-coronel, transitado em julgado. Ou seja, a Justiça entendeu que o coronel cometeu aqueles atos de assédio moral contra uma policial. Isso é inquestionável”.

A tese de execução e a "questão lógica"

Para Miguel Silva, a dinâmica encontrada no apartamento e as marcas no corpo da vítima não deixam dúvidas sobre a autoria do crime. Ele utiliza o fato de apenas o casal estar no imóvel como o ponto central de seu raciocínio jurídico.

"Eu acho que a dinâmica lá foi de execução, onde o primeiro laudo que eu fiquei sabendo foi um disparo de baixo para cima, do lado direito. E até porque eu tive o contato com o corpo no velório. Então eu entendo, assim como a família, que houve uma execução. Quando nós estivemos lá no velório, nós não tínhamos a informação dessas marcas no pescoço. Quando houve a divulgação das marcas no pescoço, no nosso entendimento, da família, ficou mais evidente que ele simplesmente executou a Gisele. Digo ele por quê? Porque só estavam ele e a Gisele lá dentro, não tinha uma terceira pessoa. E se a Gisele não se matou, quem matou foi ele. É uma questão lógica, a não ser que ele colocasse uma outra pessoa na cena, coisa que ele não fez. Então é um raciocínio lógico".

Expectativa pela prisão preventiva

Com o protocolo do pedido de prisão feito pela Polícia Civil, a assistência de acusação aguarda a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. O advogado acredita que o inquérito já reuniu elementos suficientes para afastar o oficial das ruas.

"A defesa da família sempre entendeu que existiam os requisitos para essa prisão preventiva. Porém, ao acessar os autos do inquérito policial hoje, ele está peticionado pela autoridade policial em sigilo. Nós sempre acreditamos que chegou o momento, até passou do momento, de se decretar essa medida cautelar em desfavor do tenente-coronel. Eu acredito que não deva faltar mais nenhum [laudo]. Eu entendo que a autoridade policial já sanou todas as suas dúvidas".

Entenda o caso

A morte da soldado Gisele ocorreu em março de 2026, dentro do apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. O oficial afirma que estava no banho quando a esposa teria atentado contra a própria vida após uma discussão sobre separação. No entanto, a investigação apontou inconsistências, como o fato de a arma estar limpa de resíduos biológicos e um intervalo de 29 minutos entre o barulho do disparo ouvido por vizinhos e a chamada de socorro do marido. Nesta terça-feira (17), a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do coronel por feminicídio.

 

Fonte: Band.
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