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Pai de Henry desabafa após júri: "11 dias piores do que 5 anos de espera"

O julgamento do caso Henry Borel continua gerando desdobramentos no cenário jurídico nacional. Após o Ministério Público recorrer pedindo a anulação do julgamento de Monique Medeiros por suposta interferência da juíza Elizabeth Machado Louro, a defesa de Jairinho também passou a questionar a imparcialidade da magistrada na condução do processo. Em entrevista ao vivo ao programa Melhor da Tarde, Leniel Borel, pai do menino Henry, manifestou sua indignação com o desfecho do júri popular e criticou o uso de pautas sociais para justificar o perdão concedido à mãe da criança.

"O que vimos ali não foi um júri como na definição de júri popular, deixando o jurado julgar. Vimos ali uma juíza parcial para Monique", afirmou Leniel Borel. Segundo ele, a magistrada pautou sua decisão em questões de gênero para encobrir erros jurídicos cometidos ao longo dos 11 dias de julgamento. O pai da vítima argumenta que a utilização do feminismo nesse contexto desidrata a verdadeira luta das mulheres brasileiras.

A Monique não representa as mulheres brasileiras e não representa as mães brasileiras. Quando nós lutamos pelas mulheres, também nós queremos, nós lutamos pelos filhos delas. E a Monique ali foi, no mínimo, omissa de tudo que vimos nesses 11 dias.

Durante a entrevista aos apresentadores Leo Dias, Chris Flores e Thiago Pasqualotto, Leniel Borel relembrou os dados técnicos apresentados pelo Ministério Público e pela assistência de acusação que, segundo ele, comprovam a ciência e a participação de Monique Medeiros na rotina de agressões. Ele apontou que os laudos periciais indicam que Henry Borel morreu em um intervalo no qual os celulares dos réus registraram intensa movimentação no apartamento.

"Neste intervalo, a Monique deu, entre 11h30 da noite e 3h da manhã, ela deu 150 passos naquele apartamento. O Jairo deu mais de 300 passos naquele apartamento. O iPhone, o celular deles, mostra que eles estavam circulando no apartamento. Então, quando ela está na omissão e o Jairo na ação, é o mínimo", explicou o entrevistado. Para ele, as provas de mensagens trocadas com a babá e o comportamento posterior de Monique Medeiros, como ir ao salão de beleza no dia seguinte ao enterro, demonstram a ausência de postura protetora.

O Henri teve uma morte agônica. Ele ficou sangrando por dentro, se dói num adulto, imagina uma criança. Imagina a criança gritou naquele apartamento pedindo ajuda e olhando para a mãe e para o padrasto. O Henry teve uma morte politraumática, brutalmente assassinado na presença da mãe. Então não tem como essa mãe não ter participado, declarou Leniel Borel.

Leniel Borel classificou o resultado do julgamento como um terceiro golpe em sua trajetória de dor, comparando a decisão judicial aos dias da perda do filho e da primeira soltura da ré. Ele alertou que o desfecho do caso envia uma mensagem perigosa para a sociedade e para outros agressores de crianças.

"Por causa de decisões como essa, esses agressores que estão assistindo a gente agora vão matar mais crianças, agredir mais crianças. Por quê? Porque o judiciário brasileiro não as protege", alertou o pai de Henry. Atualmente, o ex-vereador Jairinho cumpre pena de mais de 43 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação. O Ministério Público e a assistência de acusação agora tentam anular especificamente as decisões que beneficiaram Monique Medeiros.

Fonte: Band.
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