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Mulher de 37 anos que se passou por menina de 12 já fingiu ter leucemia

A mulher de 37 anos que foi presa na semana passada por suspeita de se passar por uma criança de 12 para ser adotada por uma família de Joinville, em Santa Catarina, está sendo investigada em cinco estados por farsas semelhantes. Em um dos casos investigados, ela teria se passado por uma adolescente de 13 anos com leucemia, segundo a polícia que apura o caso.

O comportamento de Amanda Maria Souza de Oliveira era meticuloso, aponta a investigações. Em 2023, no Rio de Janeiro, ela convenceu amigas ao se apresentar como "Duda", uma menina de 12 anos vítima de abuso. A farsa só foi desmascarada após a desconfiança das vítimas e um exame médico que revelou mais de 200 agulhas no corpo da mulher, que também dizia ser autista.

A delegada do caso no Rio detalhou a encenação: "Nós investigamos, entramos inclusive em contato com a polícia de São Paulo, que já tinha uma investigação sobre esta criminosa, e descobrimos que ela era apenas uma estelionatária. E fizemos um verdadeiro teatro para mostrar para essas vítimas que ela era uma farsa, ela fingia que era autista.

Ela assistia pornografia na madrugada e, na frente das vítimas, ela pedia mamadeira. Nós investigamos, comprovamos a verdadeira identidade e essas vítimas finalmente representaram contra ela por estelionato e falsa identidade.

Após o caso no Rio de Janeiro, a golpista foi solta em audiência de custódia e fugiu, continuando sua trajetória pelo país. Em Santa Catarina, ela se aproximou de uma comunidade religiosa, alegando ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos, sendo acolhida financeiramente pelo pastor e fiéis da igreja até que parentes denunciassem a farsa.

O impacto psicológico nas vítimas é devastador. João Marcelo, que chegou a tatuar o nome de "Duda" em homenagem à suposta criança, hoje vive o trauma da traição: "Eu nunca vi ela pessoalmente. Mas a dor que ela me causou vai ficar eternamente porque ela está escrita na minha pele junto com o nome dos meus filhos, isso não é justo, é muito cruel".

Investigação e Psiquiatria

Amanda responde agora pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. A Polícia Civil trabalha para localizar vítimas em pelo menos cinco estados, enquanto a criminosa passará por exames psiquiátricos para avaliar sua condição mental.

Psiquiatra ouvido pela reportagem alerta sobre os mecanismos utilizados pela golpista: "A ciência nos mostra que pessoas manipuladas por longos períodos não são necessariamente ingênuas. Podem estar num processo de fuga da realidade e esses casos exploram mecanismos humanos universais como empatia, confiança, necessidade de conexão, o que pode agravar os vínculos."

Fonte: Band.
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